Como tudo começou?

 

Antes de mais, bem-vindo ao espaço de opinião literária Romance no sofá, onde pretendo partilhar semanalmente o que me apetecer, sobre um ou mais livros.

Nasci e cresci numa aldeia do concelho de Ovar, a trinta minutos do distrito de Aveiro, com uma família humilde, uma mãe maravilhosa. Faz sempre tudo o que pode, não só por mim, mas por todos os que a rodeiam e um pai mau feitio como eu. Bom coração, mas com as palavras na ponta da língua proferidas, por vezes inapropriadamente.

Discretamente, sigo o percurso escolar sempre com os meus colegas, do 1º ao 9º ano e após algumas desavenças parvas de adolescentes, como refúgio para esquecer-me de todos eles e ser eu própria, inscrevo-me numa escola do concelho vizinho onde sou a miúda da turma e conheço pessoas fantásticas. Com eles cresci, ganhei confiança, perdi a timidez, deixei de ser reservada e confirmei que adoro aventuras. Conheci o termo sair à noite, férias com amigos, idas ao cinema, tomo o meu primeiro café, mas ainda não é aqui que me apaixono pelos livros.

Como menina que segue comportamentos adequados, segundo o escrutínio da sociedade atual, sigo para universidade onde frequento a licenciatura de educação de infância durante quatro anos. 

Chegando ao mercado profissional, descubro que não sou feliz e aventuro-me no ramo do mercado imobiliário, que além de ser uma experiência profissional por onde todos deveriam passar, aprenderiam a respeitar e valorizar o próximo, aprender o que é ser verdadeiramente altruísta, também amadurecemos desmesuradamente a nossa forma de encarar a vida.

Em 2011 caso, em 2012 tenho a minha filha maravilhosa, primeira filha, primeira neta e na família já não nasciam bebés à dezasseis anos por isso imaginem... o nosso nenuco verdadeiro! Em janeiro de 2018 dou um bebé reborn verdadeiro à minha filha. O meu filho conquista-nos a todos e além de mau feitio como os avós, também é o nosso menino lindo e fofinho.

Tendo o meu filho meses, avanço com a conquista de um novo sonho, ser solicitadora e dou início às aulas noturnas deste mundo de legislação e onde uma vez mais, conheço pessoas fantásticas, salientando duas, que até hoje têm um lugar muito especial no meu coração. 

O tempo passa, concretizam-se desejos, rio, choro, passo por momentos de ansiedade, penso no próximo, penso apenas em mim, faço coisas boas e outras menos boas...

Chegamos a 2020! Mas que ano! Foi realmente um ano fora do comum e exercendo eu a minha profissão no concelho de Ovar, senti a pandemia de uma forma inexplicável. É habitual dizermos que por vezes a ignorância é a melhor forma de não sofrer, contudo, discordando por completo essa máxima, uma vez que é interessante e facto para reflexão, quando sabemos que existe alguém com uma solução para o problema ficamos bem mais tranquilos.

Saber é poder e a sabedoria ninguém nos rouba!

Porém, angustias de parte, faço por manter alguma tranquilidade no meio de tantas proibições, com as quais não cresci e talvez por isso, inexoravelmente difíceis de aceitar, mas respeitadas por todos. Afinal, acreditando ou não temos de pensar no próximo.

Em 2021, retomamos alguma normalidade no que respeita à pandemia, mal sabia eu que estava prestes a chegar um verdadeiro tsunami de acontecimentos, provocados por um individuo que mudaria toda a minha vida e dinâmica familiar. 

Contudo, como acredito nas palavras que tanto ouço a minha mãe dizer "quem mal anda mal acaba", luto por mim e pela minha família no que diz respeito à justiça e se é meu, pois então não facilito. Se tiver de ser um samaritano e doar o que quer que seja, pois então será voluntariamente e a quem quero. E acreditem, não faltam pessoas adoráveis, gratas e merecedoras de tudo o que eu possa dar-lhes.

Em abril fico desempregada, acontecimento assustador, mas como encaro as adversidades da vida com otimismo, em Junho termino a minha jornada de estudante universitária em regime pós-laboral, terminando assim uma fase da conquista de um sonho. 

Em frente é o caminho certo?

Então vamos lá avançando, parados é que não pode ser!

Até então, sendo a minha concentração exclusivamente no terminar da licenciatura, finda esta fase, sinto uma necessidade crescente em ocupar o meu cérebro dando continuidade à leitura. Depois de tantos anos de estudo, acreditem que só agora aprendi realmente o seu verdadeiro significado. 

Como forma de dar descanso aos códigos, regulamentos e doutrina, desligando um pouco da intensidade da época final de exames, pego em vários livros de literatura romântica até descobrir que existe ainda a literatura romântica erótica e surpreendentemente, adorei!

Começo como grande parte dos livrólicos, com as 50 sombras da E.L.James que durante anos ouvi comentários positivos, dizendo-me que tinha de ler porque era incrível, adiando sempre ao longo dos anos, porque sempre que olhava para os livros só pensava: "nossa, tantas páginas e não contentes é vezes três".

Caros leitores, neste momento posso confirmar que ler é um vicio como qualquer outro. O pior é começar, porque depois para parar é complicadíssimo e o meu marido que o diga, porque mexe com qualquer orçamento familiar. 

Neste momento se o livro não é grande já penso no gasto. Dou-vos o exemplo dos romances do nosso autor português mais jovem, Raul Minh'alma. São maravilhosos, mas é leitura para oito horas. Acreditem que agora olho para o livro de Teoria Geral do Direito Civil do ilustre Dr. Mota Pinto e já não vejo um livro enorme com muitas páginas, um verdadeiro terror, mas sim um compilar de informação digna do seu valor.

Nunca contei, mas olhando para a prateleira e pensando nos livros que li emprestados, entre junho de 2021 até hoje, vivi a história, no mínimo de quarenta personagens principais, que me inspiraram ainda a começar a escrever. Quem sabe um dia não será publicado o meu próprio romance erótico.

Problema destas leituras todas, perguntam vocês? 

No meu pequeno círculo de amigos, incluindo-se o meu marido, não tenho ninguém com quem partilhar peripécias que vou lendo e sinto como se fossem minhas naquele momento. Opiniões simples, partilha de sentimentos, ponderação de "se's" ou "mas", trocas de palavras de uma simples leitora apaixonada pela arte de ler. Opinião de uma simplória leitora sem qualquer formação em literatura.

Assim nasce este espaço. Pretendo partilhar consigo o que sinto a cada livro ou filme que vejo. Sim, sabem que agora após a leitura de um livro procuro o filme e é fantástico?

Até hoje concluo sempre o mesmo, não é tão bom como livro. O meu cérebro é extremamente fantástico a fantasiar uma imagem descrita e os filmes raramente correspondem à expectativa, mas está muito próximo e sem dúvida que é excelente associarmos nomes, factos, momentos e sentimentos a uma imagem. Alguém como eu a viver uma aventura?

                                                                     

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