Romance erótico ou Romance pornográfico?
Autor: Afonso Noite-Luar
Editor: Manuscrito
Depois de ler o livro Ela Primeiro, rapidamente descobri que fiz asneira em não ler a base da trilogia “Nada menos que tudo”, uma vez que o autor menciona os seus mandamentos ao longo de toda a trama.
Ainda assim, estamos perante um autor português e por isso senti-me na obrigação de ler todos os livros, ainda que fosse notória a falta de alguns aspetos importantes para emergir nas personagens e acontecimento.
Por mais que seja uma escrita de simples leitura, considero demasiado mundana e com pouca descrição, não só de locais como de sentimentos, transformando a atividade sexual numa atividade como outra qualquer. No entanto, adoro como Afonso como consegue aproximar-se da Inês e a forma provocadora de a seduzir recorrendo ao humor. Como conseguiu o número de telemóvel dela é um método a adotar e que me provocou um sorriso.
Nada contra a
profissão, até porque nos dias de hoje o que não faltam são profissões novas,
como influencer’s, youtuber’s, entre outras. Porque não, ajudar outros a arte de
conquistar? Assim como o Afonso também penso que é uma arte. Nem todos sabem seduzir uma mulher.
No entanto, o facto de ficar no hotel a observar no quarto ao lado vai contra o que considero razoável. O voyeurismo é uma prática sexual como outra qualquer e aqui não o consigo enquadrar nem emparelhar numa outra prática qualquer. Aliás, tudo é feito sem o conhecimento da companheira dos Afonsinhos, logo não é consentido e por isso também não é prática sexual.
Posso seguir esta linha de pensamento não posso? Sinto que sim!
Afasto por completo este livro dos romances eróticos e enquadro-o num novo género e por isso inovador, que é romance pornográfico.
Porquê? Questionam vocês. Estou certa e expetante na leitura das vossas opiniões.
A história dá maior ênfase aos Afonsinhos, não existindo aquilo que tanto me atrai na literatura erótica, a sedução, o enamoramento, o deslumbramento, a atração sexual, o desejo,… Aqui o Afonso descreve o ato sexual e no fim apresenta sugestões, reclamações ou como lhe queiram chamar. Vá lá que não utiliza uma escala de mau, insuficiente, suficiente, bom e muito bom. Eu não procurava o muito bom, mas também não ia gostar nada de ter negativa! Aqui é sexo puro, sem qualquer sentimento nem a fogosidade adorável e sonhadora de um bom romance erótico. Digam lá que não estamos perante um filme pornográfico?
E aquele pensamento de ter dois carros, um bom e outro menos bom, utilizando-o em função da aparência que pretende transmitir? Ah e temos ainda o apartamento que é mais do mesmo.
No Faz-me ficar só consigo dizer a sério? Sofrimento para trás e para a frente. Depois, claro que após sete meses ausente, só quando Afonso vê um Henrique junto da Inês é que se faz luz naquele cérebro? Ah não! Não me venham dizer que o coitado tinha assuntos por resolver porque todos têm!
Já no Deixa acontecer temos uma história narrada pela Inês. Melhores descrições, que nos permitem mergulhar na narrativa e sem dúvida que a forma de escrita e descrição melhorou substancialmente. Porém, porque não o fez dando continuidade à narrativa feito pelo Afonso?
Resumindo, irei sempre apoiar autores portugueses comprando os livros, mas neste caso não foram especiais para os manter na minha biblioteca e por isso dei-lhes a oportunidade de serem felizes na biblioteca de outro alguém que os valorize.
Sabem que mais? Coitadinhos dos Afonsinhos!

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