Espera… SENTADA!

É precisamente o pensamento que me ocupa a mente, audível apenas pelo sorriso presunçoso que descontraidamente faço transparecer.

Os olhos focam em frente, mas numa espécie de olho angular, previamente, permiti-me observar tudo ao meu redor. As paredes pintadas de cor clara, a madeira escura que piso e todo o trabalho ornamentado pelo corredor acima. Há quem diga que é velho, que é antigo, que é feio ou até mesmo uma amostra do que é um restauro com olho apenas na limitação de custos, tornando o trabalho de mau gosto. Contudo, tudo o que vejo é a sabedoria e resiliência de alguém, em manter a história de outro alguém, as memórias, as aprendizagens, os sacrifícios, as desilusões e até as conquistas de gerações que por lá passaram. Sim, desiludam-se, não há riqueza e património sem sacrifício!

É possível inspirar sabedoria, enquanto sentimos o suave cheiro amadeirado, assemelhando-se a um dos melhores perfumes masculinos. Assim como o homem que o usa, é possível caraterizar o espaço com uma forte personalidade e com toque moderno, mas também com pormenores marcantes, estudados com minúcia e por isso estrategicamente dispostos, para que pessoas como nós o apreciem.

Enquanto isso, é perfeitamente audível, das vozes que saem daquelas paredes perceber o quanto, vezes sem conta, aquele espaço, aquela família, aquela pessoa em específico foi alvo de critica num mundo que vive disso mesmo. Ouvir a critica e desejar, ao mesmo tempo, pasme-se, essa mesma critica, porque no fundo foi sorte. Sabem… é uma sorte existirem pessoas com força para criar sorte e mais ainda em viver com ela paralela à critica. O lema é: espera, sentada enquanto o teu cérebro funciona, contornas a critica e trabalhas para que a sorte te caia em cima, como uma grande chuvada. Não existe sorte sem trabalho. Não existe trabalho sem crítica e não existe crítica sem sorte.


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