Carrie Soto está de volta com Taylor Jenkins Reid
O primeiro impacto com a Carrie Soto é um pouco assustador. Com uma personalidade complexa, identificamos várias características dignas de repúdio, como a frieza, dureza, sem qualquer relação de amizade ou vida social. Vida amorosa? O que é isso? Existe? Podemos incluir aqui o amor pelo pai?
Contudo, além de logo nas primeiras páginas ficarmos presos à história, é óbvio que rapidamente descobrimos uma personagem disciplinada, focada, com objetivos planeados e extremamente resiliente.
Este
romance está escrito de forma tão exímia, que além de conseguirmos sentir as
dores da Carrie, sempre que joga, é possível acompanhar os jogos como se
estivéssemos na bancada. Vibramos com os pontos e a dada altura quase
conseguimos ouvir o som característico num court de ténis. O som da bola em
cada pancada entoa pelo nosso cérebro e quando perde, o aperto no peito é
verdadeiramente sentido.
A descrição dos sentimentos e locais transporta ainda a nossa imaginação para a possibilidade de sentir a frescura da manhã, da relva acabada de cortar do court de ténis e dela já seca no final dos torneios. Só quem lê esta história consegue entender esta minha resenha.
Portanto, quem gosta de um romance levezinho, mas é apaixonado pela prática de ténis, este livro é de leitura obrigatória.
Para mim que pratico o desporto há pouco mais de um ano, permitiu-me ainda reter uma mensagem extremamente importante. Não apenas para a continuidade prática da modalidade, mas também reflexões que senti necessidade de partilhar com algumas pessoas da minha esfera social.
O segredo de um bom jogador é o treino. Treinar, treinar, treinar muito! Repetição atrás de repetição eliminará o erro e levará o tenista para um jogo irrepreensível, que por sua vez o leva a várias conquistas. E porquê? Perguntam vocês. Portanto, diz-se que o nosso corpo também tem memória muscular e por isso, há semelhança da respiração, fará os movimentos sem necessidade de pensar em todos os pormenores exigidos para uma boa pancada de bola, um bom serviço, uma boa resposta ou até mesmo no movimento de pés. Para respirar também não precisamos de pensar nos movimentos necessários, o nosso corpo fá-lo sozinho e autonomamente.
Por fim, evidencio ainda a mensagem final. Mais importante que um ou mais recordes, é a experiência, é o que sentimos no momento, paz interior, a tentativa, persistência, o erro e todas as aprendizagens de tudo a que nos obrigamos a concretizar.
A felicidade está no equilíbrio, na aceitação e mais do que ganhar é saber que fizemos o nosso melhor.

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